Companhia do Feijão traz “Armadilhas Brasileiras” neste fim de semana no Centro Cultural Piollin

João Pessoa recebe neste fim de semana, nos dias 09 (sexta, às 19h), 10 e 11/08 (sábado e domingo, às 18h), no Centro Cultural Piollin, a turnê que comemora os 15 anos de atuação do premiado Grupo Teatral Paulistano Cia do Feijão. Para celebrar essa importante marca, a Companhia – que é patrocinada pela Petrobras – apresentará a sua mais recente montagem, Armadilhas Brasileiras, que estreou em abril passado na capital paulista. Após as apresentações na capital paraibana, o grupo segue turnê pelas cidades de Goiânia, Brasília e Rio de Janeiro. A faixa etária indicativa é acima de 14 anos, e a entrada será franqueada ao público interessa, com distribuição dos ingressos por ordem de chegada.


Além da apresentação dos espetáculos, a Companhia do Feijão ainda realizará em João Pessoa uma série de atividades complementares, como oficina de criação teatral, laboratório de vivência literária e a exibição de um documentário que registra o processo criativo de Armadilhas Brasileiras, projeto contemplado no Petrobras Cultural 2010.

O Espetáculo

Espetáculo: "Armadilhas Brasileiras" (Foto: José Romero)
Com direção de Pedro Pires, que também assina a dramaturgia ao lado de Zernesto Pessoa, a montagem traz no elenco Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Guto Togniazzolo e Vera Lamy, que interpretam os artistas de um grupo de teatro em processo de criação de uma peça sobre a crise econômica mundial de 1929 e suas consequências para os trabalhadores brasileiros. Durante o ensaio, porém, surge entre os atores (que também são os autores da peça) um conflito sobre os rumos da história, com questionamentos antagônicos sobre conteúdos e formas de representação. O acirramento deste embate de opiniões leva a um “golpe cênico”, que muda a história que vinha sendo contada e traz ao foco da discussão o próprio fazer artístico.
Espetáculo: "Armadilhas Brasileiras" (Foto: José Romero)
Nesse novo espetáculo, Armadilhas Brasileiras, o grupo conclui seu projeto de investigação artística, que durou 18 meses. Em sua trajetória, o processo de pesquisa da Companhia do Feijão tem o objetivo de investigar o homem brasileiro, do histórico ao contemporâneo, em seu confronto com as dificuldades que encontra pelo caminho.
A montagem tem como plataforma as obras CaféO banquete (inacabada) e  A meditação sobre o Tietê, de Mário de Andrade, combinadas com trechos livremente inspirados em obras de Bertolt Brecht, Groucho Marx, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Samuel Beckett e Vladimir Maiakovski.

A obra

Espetáculo: "Armadilhas Brasileiras" (Foto: José Romero)
Em seu primeiro ato o espetáculo mostra o grupo contando, em tom épico, a história da crise brasileira do café em 1929 retratada na obra de Mário de Andrade. Como ponto de partida, a indignação difusa dos trabalhadores da indústria cafeeira (rurais e portuários) com a exploração dos patrões. Desde o início, a história é contada com interferências aparentemente contraditórias de alguns atores.
No segundo ato, onde o descontentamento crescente dos trabalhadores retratados (agora urbanizados e organizados) levaria à realização de uma revolução vitoriosa, alguns dos artistas do grupo tomam a iniciativa de romper a trajetória original da ação por achá-la pouco plausível para os dias de hoje. Inserindo cenas novas, não previstas, gradativamente deturpam a direção utópica da encenação por meio de expedientes próprios da linguagem grotesca. No final, como espécie de somatória das contradições dos dois grupos em disputa, ganha relevo um terceiro tipo de narrador, uma terceira possibilidade de forma e conteúdo, que desde o início esteve presente pontuando a narrativa principal, provocando ambos os grupos sem aderir definitivamente a nenhum.

O Grupo

Espetáculo: "Armadilhas Brasileiras" (Foto: José Romero)
A Companhia do Feijão tem desde 1998 um reconhecido trabalho continuado de desenvolvimento de linguagens teatrais e criação em equipe, utilizando como tema de base o estudo do homem e das realidades brasileiras. Intercepta em suas criações a observação crítica de fatos sociais contemporâneos e uma permanente investigação sobre a história e a memória nacionais. Sempre em busca de procedimentos que possam servir como referentes para um real desenvolvimento de políticas públicas no que se refere à existência de manifestações culturais não contempladas por ditames mercadológicos. Tem em seu currículo dez espetáculos que procuram levar a lugares onde normalmente o teatro não chega, tendo percorrido grande parte do território brasileiro, além de Portugal, Espanha e Cabo Verde, e atendendo a um amplo espectro de público que vai de grandes metrópoles a mínimas comunidades rurais. Já recebeu os Prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Shell, além de diversas premiações individuais de seus integrantes, prêmios-estímulo e projetos contemplados pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Visão do Diretor

Pedro Pires (Foto: Divulgação)
“Entre as circunstâncias que permeiam o projeto, destaca-se a atualidade da discussão sobre as ‘armadilhas’ a que estamos sujeitos num país tão desigual. Uma mescla cruel entre o ultramoderno e o ultrapassado, onde necessidades básicas de sobrevivência são solapadas pela mercantilização dos sonhos e do bem-estar, gerando toda sorte de violências, sobretudo as mais sutis”, completa o diretor Pedro Pires. Para ancorar esse estudo, a companhia realizou atividades regulares de preparação e treinamento internas e abertas ao público, trabalho de campo e diálogos com outros coletivos artísticos e representantes de correntes várias de pensamento.

Zernesto Pessoa (Foto: Divulgação)

Visão do Dramaturgo

“As ‘pedras’ pelo caminho são relacionadas ao sistema em vigor, suas variações e o impacto que provocam nos comportamentos deste homem (desejo x realidade)”, explica o dramaturgo Zernesto Pessoa. Ele acrescenta ainda que “com quase 15 anos de trabalho neste domínio, o foco agora está no apuramento das relações artísticas dentro do núcleo criativo e ainda suas intersecções com outras linguagens artísticas, notadamente a música, as artes plásticas e o cinema, além da literatura, esteio da companhia desde sua criação”.

FICHA TÉCNICA – ARMADILHAS BRASILEIRAS

Elenco: Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Guto Togniazzolo e Vera Lamy
Argumento e Direção: Pedro Pires
Dramaturgia: Pedro Pires e Zernesto Pessoa
Cenário: Fernanda Aloi e Pedro Pires
Figurinos: Daniel Infantini e Guto Togniazzolo
Direção musical: Flávio Pires e Lucas Vasconcelos
Músicas: núcleo artístico da companhia e Lucas Vasconcelos
Iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa
Criação em vídeo: Leandro Goddinho
Projeções: André Menezes
Fotos: José Romero e Leandro Goddinho
Projeto gráfico: Ieltxu Martínez Ortueta
Produção: Cláudia Burbulhan e Paulo Reis (assistente)
Colaboração artística: Brava Companhia, Cia. Antropofágica, Denise Namura, Engenho Teatral, Francisco Zmekhol Nascimento de Oliveira, José Antônio Pasta Jr., Luiz Ruffato, Nuno Ramos, Michael Bugdahn, Sérgio de Carvalho e Walter Garcia.


  
O Centro Cultural Piollin fica localizado à Rua Sizenando Costa, s/n,
Roger (ao lado da Bica), João Pessoa-PB.
Fone: (83) 3241-6343.



Apoio: Piollin Grupo de Teatro, Centro Cultural Piollin, Coletivo de Teatro Alfenim e  Universidade Federal da Paraíba [Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes  e Teatro Universitário Lima Penante].

Fonte: ASCOM - Centro Cultural Piollin 

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